quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Ô seu Deus
Aí nessa sua vendinha
Onde comprei meus sentimentos
Num haveria de ter garantia sem vencimento?
Que é pr'eu trocar os meus
Toda vez que entristecer
Por lembrar daqueles olhos
Que nunca mais eu hei de ver.
Tainan
25/04/2007
Bem sabia eu que essa angustia sem porquê era um poema engasgado, atravessado no meu peito.
Persisto no caminho, mas não sei onde vai dar.
Pode passar horas ou minutos, leve o tempo que custar
Pois o mundo já não existe mais
As ruas não existem mais
Os olhos já não me perseguem
Pois agora tu és meu guia
És a luz do meu dia, és de todo o meu amor.

Tainan
20/08/2007
Vida

Este sofá empoeirado da minha sala me faz lembrar quem eu realmente sou.
Olho pela janela e só vejo cinza, piche e borrões que poderiam ser carros ou ônibus.
Até o Sol se afugenta pelas nuvens que policiam meu olhares de compaixão.
Sobre a mesa, meus velhos livros que de nada mais me serviram, além de me notar mulher, bicho acuado pelo que poderia ser minha segunda razão de vida.
Minha porta se faz de latão e me abriga da maior insanidade que é a consciencia mundana.
Essas escadas não me querem, parecem empurrar-me degrau abaixo, como que expurgando minha passagem.
Como sempre, carros, muros, portas, postes e cachorros se fazem minhas companhias pelo itinerário.
Mas, ao longe, avisto um mar. Um mar que me chama, provoca. Verdes gotas que, unidas, se fazem onda e me buscam no esconderijo da minha alma. Fecho meus olhos e sinto meus pés e mãos beijados por Iemanjá. Sinto uma inundação, uma embriaguez de vida e de amor. Mergulho cada vez mais, meus cabelos flutuam como eu mesma. Tudo tem cor...


Tainan Fernandes
21/08/2007
Wando era uma dessas pessoas que levam uma vida regrada, tudo nos eixos, obrigado. Era formado em administração, trabalhava num tipo de empresa que sempre aparece em filmes e nunca lia livros, com excessão daquele ótimo chamado 'A vida dos grandes estadistas'. Reservado como era, nunca fazia gentilezas ou olhava nos olhos de desconhecidos, muito menos conhecidos.
Eram quatro e cinco da tarde e Wano saíra mais cedo do trabalho, pois deveria estar as cinco e cinco no consultório do doutor Flores para fazer aqueles desnecessários exames médicos e que a companhia exigia periodicamente. o sinal acabara de fechar e Wando havia parado o carro (antes da faixa de pedestres e a um mentro do carro da fente, é claro), quando um rapaz magro, vestindo roupas descombnadas e sobre uma bicicleta apareceu pela janela do seu carro e falou como quem estivessem conversando com um amigo de longa data:
- Tarde qunte, hein?!
Wando, tomado de assalto, odiou aquele jvem de imediato, mas, o que acontecia raramente, continuou a encarar o rapaz, que lhe falou:
- Pois é, as vezes a pessoa pára pra pensar nas coisas que planejava quando era mais nova e vê como o mundo muda e a carrega consigo... Meu caso, por exemplo, queia ser arqueólogo mas como queria ser independente e gahar dinheiro rápido, acabeu optando pelo curso do momento e fiz economia. Hoje, procurando minha calculadora, acabei encontrando uma caixa de guardados e relembrei toda minha história, das coisas que pensava, minha bicicleta... esolvi dar uma volta por aí...

O sinal abriu e Wando foi obrigado a proseguir o fluxo de carros que se formara a partir do sinal, mas com o pensamento longe. Olhava vagamente as ruas a frente, pois n sua cabeça sé estava a imagem de 20 anos atrás, seu cabelo comprido, as oupas folgadas e coloridas e a alegria da juventude que se transformaria em frustação depois da descoberta da rotina e da responsabilidade.
Tainan Fernandes

21/08/2007


Bem simples, mas gostoso de ler.
=)