Vida
Este sofá empoeirado da minha sala me faz lembrar quem eu realmente sou.
Olho pela janela e só vejo cinza, piche e borrões que poderiam ser carros ou ônibus.
Até o Sol se afugenta pelas nuvens que policiam meu olhares de compaixão.
Sobre a mesa, meus velhos livros que de nada mais me serviram, além de me notar mulher, bicho acuado pelo que poderia ser minha segunda razão de vida.
Minha porta se faz de latão e me abriga da maior insanidade que é a consciencia mundana.
Essas escadas não me querem, parecem empurrar-me degrau abaixo, como que expurgando minha passagem.
Como sempre, carros, muros, portas, postes e cachorros se fazem minhas companhias pelo itinerário.
Mas, ao longe, avisto um mar. Um mar que me chama, provoca. Verdes gotas que, unidas, se fazem onda e me buscam no esconderijo da minha alma. Fecho meus olhos e sinto meus pés e mãos beijados por Iemanjá. Sinto uma inundação, uma embriaguez de vida e de amor. Mergulho cada vez mais, meus cabelos flutuam como eu mesma. Tudo tem cor...
Tainan Fernandes
21/08/2007
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