Número dois
Angústia
Já eram três e meia da tarde. Eu esperava ansiosa e com bons pressentimentos o telefonema da Sabina, combinado para as quatro horas. Estava feliz porque hoje Sabina viveria talvez um dia importante, visto que, além da real importância, havia também a expectativa de total mudança de vida. Com a influência do amor de amigo, suguei toda expectativa e esperança dela, já que para amigos a gente só quer o bem.
Mas, perto do horário combinado, comecei a imaginar como seria se, de fato, nada desse certo. E se ela me ligasse chorando, ou pior, apenas triste demais e decepcionada? O que eu faria? Será que dessa vez, diante de uma real tristeza eu conseguiria confortar alguém?
Sempre tive medo dessa face das pessoas que conheço, quando me olham de verdade, sinceros e de alma nua, quando me tocam como clementes de ajudas, as mãos pesadas sobre meus braços, apertando, implorando. Dessa vez seria apenas por telefone, sem contato físico ou visual, mas também profundo e tão grande que faria sentir-me muito pequena diante do real, que eu tinha certeza que ficaria sem ação.
Uma vez li num livro que sentimos simpatia por quem sofre, mas eu apenas não sei como reagir ao sofrimento alheio.
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