
Número um
Exatamente aqui
-Alguém trouxe a toalha? - ela perguntou.
Já era noite, estávamos num minicampo aos arredores do acampamento. De manhãzinha, fomos andar pelo subúrbio da pequena cidade e Sabina havia pedido que alguém levasse uma canga, caso quiséssemos descansar no chão pelo caminho. Ta ali na minha bolsa, é só pegar, a Inês falou. Sabina então estirou a toalha pela terra gramada, úmida e tomada por insetos e deitou-se, ficando parada a fitar o firmamento enquanto Inês, João e eu deitávamos ao seu lado, contrariados.
Era uma boa sensação estar ali, apesar de sentir a grama verde a pinicar as costas. O sereno caía calmamente sobre nós, um vento fraquinho soprava como que um sonho dentro d’água. O festival na cidade mandava-nos um som distante, música e alegria misturados no ar, tocando o mundo. Sabina pegou-me a mão e senti uma felicidade inocente, o coração inflamado. Era noite, a brisa, o sereno e o som se espalhavam por entre as estrelas no céu.
- Se fechar os olhos, me vejo exatamente aqui.
Era verdade. Ali acontecia um instante que muda toda uma vida.
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