Número três
Livre
Senti tanta coisa que só me acalmei depois de tomar um banho frio. Agora estou deitada na cama, ouvindo Bob Dylan. Hoje preciso ser clichê.
Senti-me sufocada, tirei a roupa, estou deitada vestindo sutiã e calcinha apenas. Sinto-me segura sentindo o colchão e o lençol tocando e aquecendo-me as costas. Não estou feliz, estou tranqüila, sentindo falta das milhares coisas que quis fazer e não fiz, dos relacionamentos que desejei e não tive, dos detalhes inúteis a que me apego tão fácil.
Na verdade, queria estar com o Pedro agora. Tivemos o impulso de fugir para algum lugar juntos. Queria ir e ficar junto dele, em silêncio. Não fomos. Muito ruim essa “distância entre intenção e gesto”. Queria só ficar calada perto dele. Só isso. Queria escrever outro capítulo do livro mas estou mais pro diário.
Engraçado o que estou sentindo pelo Pedro. Só quero ficar perto dele, sem malícia: só cumplicidade. Não quero ser só amiga, nem namorada. Quero ele comigo, apenas.
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