Número Quatro
Rede Quente
Agora ele está dormindo, com os braços me abarcando calorosamente, e me sinto tão sensível quanto das outras vezes que estive com ele dormindo ao meu lado, sempre numa rede morna. “Ele está aqui... Ele está aqui...” é só o que eu penso enquanto olho o rosto tão doce que ele tem. Me recordo de quando prometi a mim mesma que nunca mais me envolveria com ele, que não tinha equilíbrio algum pra sustentar esse tipo de relacionamento que nós temos. Ainda não tenho equilíbrio, mas descobri que meu coração é inflamado demais para resistir ao cheiro dele, aos olhos dele, tão infantis e conhecidos meus. Nunca me senti assim, tão querida, tão conhecida. Só queria entender porque a gente é assim um com o outro. Nós sabemos claramente que somos apaixonados, que sentimos uma saudade imensa um do outro sempre, até quando estamos juntos. Mas não conseguimos nem dizer eu te amo em voz alta, nem discutir sobre o que queremos ser um pro outro. Lembro envergonhada de ter beijado outros homens enquanto sentia sua falta, de fingir carinho à outra pessoa enquanto fechava os olhos e só lembrava o rosto dele. Ele sempre me pede desculpas por ser assim, e eu sempre digo que tudo bem. Somos dois bobos. Agora ele acordou, e respira meus cabelos e me beija as costas com carinho e cumplicidade, e quando percebe meus olhos molhados, me segura a mão e me olha como se eu fosse a coisa mais amável que existe no mundo enquanto escreve com a ponta do dedo poemas de amor em minha pele.
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